Seu “mundo” pode ser melhor.

 

Por: Viviane Braga

 

Estive há algum tempo atrás em contato com duas senhoras que possuíam um sonho diferente do de muitas senhoras que conheço e conheci. Elas não queriam dinheiro para esbanjar, nem bens materiais e tão pouco férias... Seus sonhos iam além: queriam aprender a ler!

Muito estranhei quão grande eram suas dificuldades em reconhecer cada letra do quadro negro, mas a garra e a dedicação que empenhavam despertaram em mim a admiração por elas e a valorização do sentido real da leitura, para qualquer indivíduo.

Essas senhoras hoje têm o privilégio de participarem de um trabalho de alfabetização proporcionado por universitárias da Escola da Família (Programa do Estado de São Paulo). Quando conseguiam reconhecer as letras, que formavam as palavras dos objetos que tanto faz parte de seu cotidiano, era como se um novo mundo se revelasse: o mundo da inclusão social.

Entristece-me em perceber também o quanto é comum o não interesse daqueles que possuem acesso a esse mundo maravilhoso das letras.. dos livros... da leitura.

É notável, cada vez mais, o desinteresse pela leitura desde cedo, quando ainda criança. Quando a criança não se sente motivada a ler, provavelmente se torna um jovem/adulto com um nível cultural e intelectual precário. Possui grandes dificuldades de compreensão e interpretação, torna-se uma pessoa desinformada, além do que sua posição social está condenada a ser semelhante a da grande maioria da população brasileira, ou seja, pertencer à classe baixa. Afinal, essa pessoa torna-se uma pessoa “inculta” perante a sociedade com melhor posição social. Talvez as coisas mudem... E quando ela atingir sua maturidade, sinta o despertar em si a importância da leitura, como meio de cultura e formação intelectual.

Quem seria o culpado? Não existe a quem culpar, mas posso afirmar que os pais influenciam fortemente na criação deste lado intelectual. Às vezes a correria do dia-a-dia, o cansaço, o estresse, falta de tempo, ou mesmo outras distrações como internet e a televisão, fazem com que os pais esqueçam de injetar em seus filhos a necessidade deles desenvolverem o ato de ler, e fazerem desta atividade uma atividade prazerosa e não obrigatória e “chata”.

Quando a leitura é constante o nível cultural e intelectual do ser humano desenvolvem-se com maior facilidade, fazendo com que assim o indivíduo se torne uma pessoa, no mínimo informada. Além de influenciar, fortemente, no nível cultural e intelectual do indivíduo, a leitura permite ao leitor uma viagem no tempo... No espaço... No seu mais íntimo, lugar o qual jamais poderia alcançar sem essa injeção de fantasias, produzidas por um conjunto de palavras.

É impressionante como o poder da leitura é capaz de modelar as pessoas. Além do lado intelectual, podemos notar o desenvolvimento do lado criativo do ser, imaginário, sonhador e inovador.

Pensando bem, mais impressionante ainda é como as pessoas não conseguem perceber quão importante é sua necessidade, e mais que necessidade, o prazer que é proporcionado por ela. É necessário um trabalho de conscientização desde criança, principalmente por parte dos pais e mestres escolares, para que essas crianças possam entender o real sentido da leitura e assim tornarem pessoas cultas, capazes de transmitirem essa mensagem aos próximos.